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terça-feira, 13 de março de 2012

Capítulo 15 - Sonho de Ícaro




Depois de ouvir Belchior, uma frase não mais saiu da minha cabeça: foi por medo de avião, que segurei pela primeira vez a tua mão”. Por isso, resolvi escrever sobre o tema. Sem dúvida, viajar é muito bom e prazeroso, porém para algumas pessoas representa uma verdadeira tormenta, principalmente quando o deslocamento tem que ser feito de avião.

Outro dia, em um blog, li que só há dois tipos de passageiros: os que têm medo de voar e os mentirosos - Certamente, enquadro-me no primeiro tipo! Apesar de acostumado a viajar pelo mundo, confesso que ainda sinto aquele friozinho na barriga na hora de voar. Todavia, isso é perfeitamente normal, até porque “nosso corpo foi planejado para nos salvar e nos ajudar a lidar com todo tipo de perigo”. Logo, o medo é inerente ao ser humano e deve ser compreendido como uma função do comportamento saudável, necessária e imprescindível para a proteção da vida.

Estudos demonstram que pelo menos 40% da população brasileira sofre de ptesiofobia, ou melhor, medo de viajar de avião. E, aqui, devemos diferenciar o medo da fobia. O medo de viajar de avião é um estado de alerta de nosso organismo e que não impede a pessoa de fazer suas viagens, apesar dos desconfortos gerados pelo ato. Já a fobia, considerada por muito médicos e psicólogos como um Transtorno de Ansiedade, constitui uma patologia e faz com que, além outras condutas, as pessoas cheguem muitas vezes ao extremo de sequer se imaginar entrando em uma aeronave.




Apesar de ser comum, é importante dizer que não existe quadro de fobias iguais. Cada indivíduo tem uma história pessoal, uma vivência própria, razões muito particulares para ter desenvolvido medo de voar. As causas de tais transtornos são multifatoriais (genéticos, neuroquímicos, socioculturais, tipos de personalidade, experiências ruins, medos de acidentes, medo de altura, claustrofobia). O certo é que, é a partir delas que os tratamentos ou as melhores técnicas de enfrentar as adversidades serão viabilizados.

A psicóloga Elizabeth Guedes nos ensina algumas dicas importantes para tornar a viagem a melhor possível. O primeiro passo é compreender que o problema não é exterior a você - andar de avião é uma das maneiras mais seguras de viajar, por isso não é o avião que lhe causa medo. O problema são as emoções que você próprio criou. Assim, a única maneira de superar uma fobia é conhecê-la e enfrentá-la.



Assim, para ter uma boa viagem, façam exercícios de respiração (são importantes para controlar a ansiedade durante o voo); pensem em situações ou lembranças que remetam a momentos de paz e segurança; concentrem-se em alguma atividade durante o voo (ler livros, jogar, ouvir música, fazer palavras cruzadas, etc.); evitem pensar muito sobre o voo (pensar na finalidade da viagem - férias, visita de parentes, negócios – ajuda muito). Além disso, chegar com antecedência ao aeroporto também é bom - a pressa só aumenta a ansiedade!

Para os casos de fobias, se as técnicas sugeridas não ajudarem muito, as pessoas devem buscar ajuda no uso de medicamentos e em terapias, principalmente da área cognitivocomportamental. A mais utilizada tem sido a técnica da dessensibilização sistemática, que consiste em enfrentar o medo aos poucos - quem sofre com a possibilidade de colocar os pés num avião e só viaja sob efeito de calmantes pode, primeiro, propor-se visitar o aeroporto, depois fazer voos curtos, sem usar tranquilizantes, e, gradativamente, expor-se a voos mais longos.



Não esqueçam que “a imaginação tem mais força que o conhecimento”. Se você tem medo de viajar de avião, o medo torna-se um hábito subconsciente, que o aprisiona ou pelo menos o limita. Lembrem-se, “dentro desse túnel tem luz” - não devemos e não podemos ser reféns de nosso cérebro emocional. Assim, quando tiverem superado seus medos, vocês verão que a vida é bem melhor.

Portanto, ultrapassem as fronteiras! Modifiquem esse estado de temor e tenham UM BOM VOO e UMA EXCELENTE VIAGEM!

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